.

Há dias já deveria ter postado este texto que a Ana me mandou por e-mail. É da Marta Sousa Costa e eu achei muito legal:
Na condição de avó iniciante, fui apresentada à crônica "A arte de ser avó", de Rachel de Queiroz.

Há dias já deveria ter postado este texto que a Ana me mandou por e-mail. É da Marta Sousa Costa e eu achei muito legal:
Na condição de avó iniciante, fui apresentada à crônica "A arte de ser avó", de Rachel de Queiroz.
"Netos são como heranças; você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu" _ comecei a ler, concordando em gênero e número. "Mais filho que o filho mesmo", Rachel assegura, já me fazendo franzir a testa, levemente intrigada. "Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino seu que lhe é "devolvido". Epa! Ali estaquei, surpresa.
Filhos são feitos para crescer e se lançarem ao mundo, não para nos serem devolvidos, envoltos em cueiros.
Filhos são feitos para crescer e se lançarem ao mundo, não para nos serem devolvidos, envoltos em cueiros.
Mas, implacável em seu desmesurado amor de avó, a escritora extrapola, falando no "entrave maior, a grande rival: a mãe". Compara mãe e avó aos papéis de esposa e amante, nos triângulos amorosos: a mãe colocada na posição de educadora e megera, a avó como a confidente, a que tudo permite e concede. Imagino uma geração de mulheres fortalecidas em sua posição de avós pelo consentimento recebido da grande escritora. Mães e filhas, sogras e noras trocando farpas e lançando faíscas, na disputa pelo espaço maior no coração de algum guri esperto e observador, pronto a tirar proveito da situação.
Rachel de Queiroz me perdoe. Sendo a mulher inteligente que era, não acredito que tenha sido o tipo de mãe, avó ou sogra por ela apregoado na crônica que, como página literária, está muito boa. Como ensinamento para bem-viver, contudo, deixa muito a desejar.
Rachel de Queiroz me perdoe. Sendo a mulher inteligente que era, não acredito que tenha sido o tipo de mãe, avó ou sogra por ela apregoado na crônica que, como página literária, está muito boa. Como ensinamento para bem-viver, contudo, deixa muito a desejar.
.













