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quinta-feira, fevereiro 05, 2015

Visitei Deus... e acordei chorando.

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Da minha amiga Alice Luconi Nassif


Visitei Deus... e acordei chorando.

Depois de ver os noticiários fiquei deprimida com o que ouvi e vi, fui dormir pensando na loucura dos homens “sempre semeando ventos para logo colherem as tempestades”...

Então, meu inconsciente que não me permite descansar, me fez sonhar. Este bombardeado pelas questões que meu consciente jogou no meu íntimo, queria me ajudar aliviando aquela dor...

Sonhei que o Deus cristão me chamara, religião que fui criada, sou ocidental (embora respeite todas que levem ao Bem Supremo ). Até nos sonhos só podemos reviver nossas vivências, o resto são possibilidades...

Deus me convidou para me assentar nas nuvens (bem fofinhas) e observar com ele nosso planeta e nossa Humanidade. Eu fiquei tomada por uma sensação de paz ao lado do nosso Criador, mas preocupada... Por que fora chamada?

Então, ele começa a falar e iniciamos um diálogo:

- Mulher te chamei porque observo que és curiosa, estudiosa e metida. Preciso desabafar com um ser humano e saber onde foi que tanto errei...
- Ouvi aquilo e não perguntei se ele estava me ofendendo ou me elogiando, não ficava bem questionar Deus, até porque dissera a verdade...

- Desde que criei este universo que me desgosto, este ser humano era para ser minha imagem e semelhança... deu tudo errado . Este se rege mais pela sua animalidade do que pela sua racionalidade que soprei com carinho para fazer dele o senhor deste mundo...

- Fiquei desolada com a tristeza do Supremo Mestre, mas nada falei continuei só ouvindo...

- Desde que Adão e Eva me desobedeceram querendo ter meu conhecimento e quando o Caim por inveja matou o Abel percebi que algo tinha falhado no meu projeto HUMANO.

-Depois varri o mundo com o dilúvio para ver se resolvia só deixei Noé e os bons vivos , mas não adiantou...humanos se geram como coelhos e a má índole segue o mesmo padrão...

- Fiz uma aliança com Abraão implantando o monoteísmo (adoravam até vermes) e lhe dei dois filhos importantes (entre vários )que iriam ser os pais da nova Humanidade: Isacc filho de Sara seria o pai do povo eleito (judeus) e Ismael filho da escrava Agar seria pai dos árabes.

- Eu só ouvindo, meu sonho saltava etapas, mas estava indo bem...

- Tu sabes minha filha, que Abraão (ele sabia que eu sabia) é o pai das três religiões monoteístas; o Judaísmo, o Cristianismo e o Maometismo. Sem o Judaísmo as outras duas não existiriam. Mas, em vez de serem irmãs, se tornaram inimigas e criaram guerras usando meu NOME com justificativa para se destruírem. Dissolvi a aliança e o povo eleito se tornou escravo dos outros povos...inventaram Cruzadas , Jihads, Reformas, etc...para se matarem usando sempre meu NOME em vão...tudo deu tão errado. Onde será que falhei?

- Os outros povos que não me adoram com este NOME também são meus filhos e cuido deles, mas se destroem igualmente...

- Fiquei penalizado com meu povo eleito e mandei Moisés libertá-los do jugo estrangeiro. Fiz nova aliança, mas tudo falhou novamente...

- A tal Idade Média me fez chorar de desgosto . Cometeram tantas atrocidades, no meu NOME, que até grandes pragas mandei para destruí-los de vez... mas , sou Pai e os perdoei.

- Acreditem , eu estava penalizada com o lamento do nosso PAI... como somos corrompidos e ingratos.

- Resolvi dar nova chance para toda a HUMANIDADE e permiti a chegada das Ciências, do Progresso... para produzirem alimentos, energia, medicamentos, moradias para aquela população que crescia demasiadamente. Foi meu maior erro ... pois se desviaram da verdadeira meta e uma minoria de Nações se apossou do poder científico e material , escravizando e comandando todo planeta...estes trabalham até a morte para aqueles. 

- Naquela altura fiquei pensando se era só para ouvir essas verdades ou seria esmagada como um inseto por ser um exemplar desta “ estragada” espécie...comecei a tremer de medo da ira que estava tomando conta do nosso CRIADOR.

Ele se acalma e me fala docemente:
- É bom teres uma boa resposta para me dar, porque estou querendo permitir que estes cientistas arrogantes e inteligentes , mas não sábios (criam o que não conseguem controlar) produzam um vírus que irá exterminar a vida animal na terra. Só vou permitir que sobrevivam o reino vegetal e o reino mineral – estes serão os senhores do planeta.
- Responda corretamente:
-Onde foi que errei ao criar tua espécie destruidora mulher? Era para ser minha imagem e semelhança?

Pensei nos meus filhos e netos e no resto dos pequenos inocentes ainda não contaminados com a podridão da atual HUMANIDADE. Estes que teriam a chance de melhorar o mundo se bem conduzidos por aqueles adultos que EVOLUIRAM se indignando com as injustiças e aberrações mundiais... comecei a gaguejar , mas firme sem choro algum , respondi para meu PAI CELESTIAL.

- Será que foi porque a terra com que modelou o homem estava contaminada? 
- PAI, ninguém nunca chegará aos teus pés, somos como vermes que rastejam forjados da terra. Tua BONDADE e GENEROSIDADE cegaram teu poder criador, querias filhos perfeitos... isto era impossível. Por favor, nos perdoe e nos dê mais uma chance... 

Aí me acordei chorando...

ALICE LUCONI NASSIF


domingo, março 11, 2012

MÃE - Martha Medeiros

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MÃE 





Vamos esclarecer alguns pontos sobre mães, ok?

Desconstruir alguns mitos.

Não, não precisa se preocupar.

Não é nada ofensivo, eu também sou mãe...e avó!
Vamos lá:



MÃE É MÃE: mentira !!!



Mãe foi mãe, mas já faz um tempão!

Agora mãe é um monte de coisas: é atleta, atriz, é superstar.

Mãe agora é pediatra, psicóloga, motorista.

Também é cozinheira e lavadeira.
Pode ser política, até ditadora, não tem outro jeito.
Mãe às vezes também é pai.
Sustenta a casa, toma conta de tudo, está jogando um bolão.
Mãe pode ser irmã: empresta roupa, vai a shows de rock para desespero de
algumas filhas, entra na briga por um namorado.
Mãe é avó (oba, esse é o meu departamento!): moderníssima, antenadíssima,
não fica mais em cadeira de balanço,
se quiser também namora, trabalha, adora dançar.
Mãe pode ser destaque de escola de samba, guarda de trânsito, campeã de
aeróbica, mergulhadora.
Só não é santa, a não ser que você acredite em milagres.
Mãe já foi mãe, agora é mãe também.



MÃE É UMA SÓ: mentira !!!

Sabe por quê?

Claro que sabe!

Toda criança tem uma avó que participa, dá colo, está lá quando é preciso.
De certa forma, tem duas mães.
Tem aquela moça, a babá, que mima, brinca, cuida.
Uma mãe de reserva, que fica no banco, mas tem seus dias de titular.
E outras mulheres que prestam uma ajuda valiosa.
Uma médica que salva uma vida, uma fisioterapeuta que corrige uma
deficiência,
uma advogada que liberta um inocente, todas são um pouco mães.
Até a maga do feminismo, Camille Paglia, que só conheceu instinto maternal
por fotografia,
admitiu uma vez que lecionar não deixa de ser uma forma de exercer a
maternidade.
O certo então, seria dizer: mãe, todos têm pelo menos uma.



SER MÃE é PADECER NO PARAÍSO: mentira!

Que paraíso, cara pálida?

Paraíso é o Taiti, paraíso é a Grécia, é Bora-Bora, onde crianças não

entram.
Cara, estamos falando da vida real, que é ótima muitas vezes, e aborrecida
outras tantas, vamos combinar.
Quanto a padecer, é bobagem.
Tem coisas muito piores do que acordar de madrugada no inverno para
amamentar o bebê, trocar a fralda e fazer arrotar.
Por exemplo?
Ficar de madrugada esperando o filho ou filha adolescente voltar da festa
na casa de um amigo que você nunca ouviu falar,
num sítio que você não tem a mínima ideia de onde fica.
Aí a barra é pesada, pode crer...



MATERNIDADE é A MISSÃO DE TODA MULHER: mentira !!!

Maternidade não é serviço militar obrigatório!

Deus nos deu um útero mas o diabo nos deu poder de escolha.

Como já disse o Vínicius: filhos, melhor não tê-los, mas se não tê-los,
como sabê-los?
Vinicius era homem e tinha as mesmas dúvidas.
Não tê-los não é o problema, o problema é descartar essa experiência.
Como eu preferi não deixar nada pendente para a próxima encarnação, vivi e
estou vivendo tudo o que eu acho que vale a pena nesta vida mesmo, que é
pequena mas tem bastante espaço.
Mas acredito piamente que uma mulher pode perfeitamente ser feliz sem
filhos, assim como uma mãe padrão,
dessas que têm umas seis crianças na barra da saia, pode ser feliz sem
nunca ter conhecido Paris, sem nunca ter mergulhado no Caribe,
sem nunca ter lido um poema de Fernando Pessoa.
É difícil, mas acontece.
MAMÃE, EU QUERO: verdade!
Você pode não querer ser uma, mas não conheço ninguém que não queira a sua.



5 anos: "Mamãe, te amo."

11 anos: "Mãe, não enche."

16 anos: "Minha mãe é tão irritante."

18 anos: "Eu quero sair de casa."
25 anos: "Mãe, você tinha razão."
30 anos: "Eu quero voltar para casa da minha mãe."
50 anos: "Eu não quero perder a minha mãe."
70 anos: "Eu abriria mão de TUDO para ter minha mãe aqui comigo."...
Você só tem 1 mãe. Repasse se você admira e ama a sua mãe"


(Recebi por e-mail)


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quinta-feira, fevereiro 09, 2012

Jane Fonda - O terceiro ato da vida

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Recebi o vídeo (tem tradução) por e-mail de uma cunhada. É sensacional! Embora o texto seja longo, vale a pena ler e refletir, afinal todos nós vamos chegar lá, a não ser que partamos para outra.

http://www.ted.com/talks/lang/pt-br/jane_fonda_life_s_third_act.html



*Jane Fonda: o novo livro, Prime Time: 
Love, Health, Sex, Fitness, fala sobre o que ela chama de terceiro ato de sua vida. Jane admite no texto que ainda se preocupa com a aparência e que sua idade a obrigou a diminuir o ritmo da rotina de exercícios físicos. A atriz foi uma das pioneiras nos vídeos que ensinavam e estimulavam as mulheres a malharem, mas depois admitiu recorrer a cirurgias plásticas.
A filha do lendário ator, Henry Fonda, Jane nasceu e cresceu na cidade de Nova Iorque. Depois de ter estudado arte no Vassar College, voltou-se para a moda e o estudo da arte de representar. Depois do primeiro êxito no filme “Até os Fortes Vacilam” (Tall Story), em 1960, a sua carreira seguiu o rumo do sucesso.
Nome completo: Jane Seymour Fonda, atriz e escritora. Sua história tem final feliz: na terceira idade, Jane venceu a batalha contra um câncer no seio, voltou ao cristianismo, continua a escrever livros e a promovê-los na mídia. Reaproximou-se dos filhos e tornou-se avó amorosa.






O TERCEIRO ATO DA VIDA

Jane Fonda*




Houve muitas revoluções no último século, mas, talvez, nenhuma tão significativa quanto a revolução da longevidade. Estamos vivendo em média, hoje, 34 anos a mais do que nossos bisavós. Pensem sobre isso. Isso é um completo segundo período de vida adulta que foi adicionado à nossa expectativa de vida. E ainda assim, para a maior parte, nossa cultura não se posicionou sobre o que isto significa. Ainda estamos vivendo com o velho paradigma da idade como um arco. Essa é a metáfora, a velha metáfora. Você nasce, atinge o auge na meia-idade e declina para a decrepitude.
Idade como patologia. Mas muitas pessoas hoje -- filósofos, artistas, médicos, cientistas -- estão lançando um novo olhar para o que chamo de terceiro ato, as três últimas décadas da vida. Eles percebem que isso é, na verdade, um estágio de desenvolvimento da vida com sua própria significância -- tão diferente da idade madura quanto a adolescência é da infância. E estão questionando -- todos nós deveríamos estar questionando -- como usamos esse tempo? Como vivê-lo com sucesso? Qual é a nova metáfora apropriada para envelhecimento? Passei o último ano pesquisando e escrevendo sobre este assunto. E descobri que uma metáfora mais adequada para envelhecimento é uma escadaria -- a ascensão para o topo do espírito humano, trazendo-nos para sabedoria, completude e autenticidade. De forma nenhuma idade como patologia; idade como potencial. E adivinhem? Esse potencial não é para poucos felizardos. 
Acontece que a maioria das pessoas acima de 50 sente-se melhor, é menos estressada, é menos hostil, menos ansiosa.Tendemos a ver os itens comuns mais que as diferenças. Alguns dos estudos dizem até mesmo que somos mais felizes. Isso não é o que eu esperava, acreditem-me.Venho de uma longa linhagem de depressivos.Quando me aproximava dos meus 40, assim que acordava de manhã, meus seis primeiros pensamentos eram todos negativos. E me assustei. Pensava, puxa vida, vou me tornar uma velhota mal-humorada. Mas, agora que estou, de fato, precisamente no meio de meu terceiro ato,percebo que nunca fui mais feliz. Tenho uma tremenda sensação de bem-estar. E descobri que quando você está dentro da velhice, em vez de olhar para ela do lado de fora, o medo se aquieta. Você nota, você ainda é você mesma --talvez até mais. Picasso disse uma vez: "Leva um longo tempo para se tornar jovem". 
Não quero romantizar o envelhecimento.Obviamente, não há garantia de que ele seja um tempo de fruição e crescimento. Alguma coisa disso é uma questão de sorte. Alguma coisa disso é, obviamente, genético. Um terço disso, de fato, é genético. E não há muito que possamos fazer sobre isso. Mas isso significa que, para dois terços de quão bem desempenhamos no terceiro ato, podemos fazer algo. Vamos examinar o que podemos fazer para tornar esses anos adicionais realmente bem sucedidos e usá-los para fazer a diferença. Deixem-me dizer algo sobre a escadaria, que parece ser uma metáfora esquisita para idosos,considerando-se o fato de que muitos idosos são desafiados por escadas.
Eu mesma estou incluída. Como sabem, o mundo inteiro opera com uma lei universal: entropia, a segunda lei da termodinâmica. Entropia significa que tudo no mundo, tudo está num estado de declínio e decadência, o arco. Há apenas uma exceção a essa lei universal e isso é o espírito humano, que pode continuar a evoluir em direção ao topo -- a escadaria -- trazendo-nos para completude,autenticidade e sabedoria. E aqui está um exemplo do que quero dizer. Essa ascensão rumo ao topo pode acontecer mesmo face a desafios físicos extremos. Cerca de três anos atrás, li um artigo no New York Times. Era sobre um homem chamado Neil Selinger -- 57 anos de idade, um advogado aposentado -- que tinha se juntado ao grupo de escritores da Faculdade Sarah Lawrence onde encontrou sua voz como escritor. Dois anos depois, ele foi diagnosticado com esclerose amiotrófica lateral, comumente conhecida como doença de Lou Gehrig. É uma doença terrível. É fatal. Ela devasta o corpo, mas a mente permanece intacta. Em seu artigo, o sr. Selinger escreveu o seguinte para descrever o que estava acontecendo a ele. E cito:"À medida que meus músculos enfraqueciam,minha escrita se tornava mais forte. À medida que lentamente perdia minha fala, ganhava minha voz.À medida que encolhia, eu crescia. No momento em que perdi tanto, finalmente comecei a encontrar a mim mesmo." Neil Selinger, para mim, é a personificação da subida da escadariaem seu terceiro ato.
Todos nascemos com espírito, todos nós, mas, às vezes, ele fica soterrado debaixo dos desafios da vida, violência, abuso, negligência. Talvez nossos pais sofressem de depressão. Talvez eles não fossem capazes de nos amar além daquilo que realizamos no mundo. Talvez ainda soframos com uma dor psíquica, uma ferida.Talvez experimentemos a sensação de que muitos de nossos relacionamentos não tiveram uma conclusão. E assim podemos nos sentir inacabados. Talvez a tarefa do terceiro ato seja terminar a tarefa de encerrar a nós mesmos.
Para mim, ela começou quando me aproximava do meu terceiro ato, meu aniversário de 60 anos.Como era para eu viver? O que era para eu realizar nesse ato final? E percebi que, a fim de saber para onde estava indo, eu tinha que saber onde estivera. Então, voltei e estudei meus dois primeiros atos, tentando ver quem eu era na época, quem eu realmente era -- não quem meus pais ou outras pessoas me disseram que eu era,ou me trataram como se eu fosse. Mas, quem era eu? Quem foram meus pais -- não como pais, mas como pessoas? Quem foram meus avós?Como eles trataram meus pais? Esse tipo de coisas.
Descobri alguns anos atrás que esse processo pelo qual passei é chamado pelos psicólogos"fazer uma análise da vida". E dizem que ela pode dar nova significância, clareza e sentido à vida de uma pessoa. Você pode descobrir, como eu, que muitas coisas que você costumava pensar que eram falha sua, muitas coisas que costumava pensar sobre você mesma, na verdade, não tinham nada a ver com você. Não era falha sua; você estava bem. E você é capaz de voltar e perdoá-los, e perdoar a você mesma. Você é capaz de se libertar de seu passado. Você pode mudar sua relação com seu passado. Enquanto estava escrevendo sobre isso,encontrei um livro chamado "Em Busca de Sentido" de Viktor Frankl. Viktor Frankl foi um psiquiatra alemão que passou cinco anos em um campo de concentração nazista. E ele escreveu que, enquanto estava no campo de concentração,ele poderia dizer, se eles fossem libertados,quais pessoas estariam ok e quais não estariam.E ele escreveu isto: "Tudo que você tem na vida pode ser tirado de você exceto uma coisa, sua liberdade de escolher como você responderá à situação. Isso é o que determina a qualidade de vida que vivemos -- não se fomos ricos ou pobres, famosos ou anônimos, saudáveis ou sofredores. O que determina nossa qualidade de vida é como nos relacionamos a essas realidades, que tipo de significado atribuímos a elas, que tipo de atitude mantemos sobre elas,que estado mental permitimos que elas incitem."
Talvez o objetivo principal do terceiro ato seja voltar e tentar, se apropriado, mudar nossa relação com o passado. Acontece que estudos cognitivos demonstram que, quando somos capazes de proceder assim, isso se manifesta neurologicamente -- caminhos neurais são criados no cérebro. Veja, se você, ao longo do tempo, reagiu negativamente a eventos passados e a pessoas, caminhos neurais são configuradospor sinais químicos e elétricos que são enviados através do cérebro. E com o tempo, esses caminhos neurais se estabelecem, eles se transformam na norma -- mesmo se são ruins para nós porque nos causam estresse e ansiedade.
Contudo, se pudermos voltar e alterar nossa relação, reavaliar nosso relacionamento com pessoas e eventos do passado, os caminhos neurais podem mudar. E se pudermos manter sentimentos mais positivos sobre o passado, isso se torna o novo modelo. É como reajustar o termostato. Não é ter experiências que nos torna sábios, é refletir sobre as experiências que tivemos que nos faz sábios -- e que nos ajuda a ser completos, traz sabedoria e autenticidade.Isto ajuda a nos tornar o que poderíamos ter sido. Mulheres começam completas, não começamos? Quero dizer, como meninas, começamos irritadiças -- "É, quem disse?"Temos atuação. Somos os sujeitos de nossas próprias vidas. Mas muito frequentemente muitas, se não a maioria de nós, quando alcançamos a puberdade, começamos a nos preocupar com ajustar-nos e sermos populares.E nos tornamos os sujeitos e objetos da vida de outras pessoas. Agora, em nosso terceiro ato,talvez seja possível para nós percorrer de volta o círculo até onde começamos e conhecê-lo pela primeira vez. E se pudermos fazer isso, não será apenas para nós mesmas. Mulheres mais velhas são o maior contingente demográfico no mundo.Se pudermos voltar e redefinir a nós mesmas e nos tornar completas, isso criará uma mudança cultural no mundo, e dará um exemplo às gerações mais jovens para que elas possam repensar suas próprias expectativas de vida.
Muito obrigada. 




quarta-feira, fevereiro 01, 2012

Quando Deus aparece - Martha Medeiros

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"Tenho amigas de fé. Muitas. Uma delas, que é como uma irmã, me escreveu um e-mail me contando a maravilha que foi o recital do pianista Nelson Freire no Theatro São Pedro, recentemente. Ela escreveu: Nessas horas Deus aparece.

Fiquei com essa frase retumbando na minha cabeça. Deus não está em promoção, se exibindo por aí. Ele escolhe, dentro do mais rigoroso critério, os momentos de aparecer pra gente. Não sendo visível aos olhos, ele dá preferência à sensibilidade como via de acesso a nós. Eu não sou uma católica praticante e ritualística - não vou à missa. Mas valorizo essas aparições como se fosse a chegada de uma visita ilustre, que me dá sossego à alma.


Quando Deus aparece pra você?





Pra mim, ele aparece sempre através da música, e nem precisa ser um Nelson Freire. Pode ser uma música popular, pode ser algo que toque no rádio, mas que me chega no momento exato em que preciso estar reconciliada comigo mesma. De forma inesperada, a música me transcende.

Deus me aparece nos livros, em parágrafos em que não acredito que possam ter sido escritos por um ser mundano: foram escritos por um ser mais que humano.

Deus me aparece - muito! - quando estou em frente ao mar. Tivemos um papo longo, cerca de um mês atrás, quando havia somente as ondas entre mim e ele. A gente se entende em meio ao azul, que seria a cor de Deus, se ele tivesse uma.

Deus me aparece - e não considere isso uma heresia - na hora do sexo, desde que feito com quem se ama. É completamente diferente do sexo casual, do sexo como válvula de escape. Diferente, preste atenção. Não quer dizer que qualquer sexo não seja bom.

Nesse exato instante em que escrevo, estou escutando My Sweet Lord cantado não pelo George Harrison (que Deus o tenha), mas por Billy Preston (que Deus o tenha também) e posso assegurar: a letra é um animado bate-papo com Ele, ritmado pelo rock'n'roll. Aleluia.
Deus aparece quando choro. Quando a fragilidade é tanta que parece que não vou conseguir me reerguer. Quando uma amiga me liga de um país distante e demonstra estar mais perto do que o vizinho do andar de cima. Deus aparece no sorriso do meu sobrinho e no abraço espontâneo das minhas filhas. E nas preocupações da minha mãe, que mãe é sempre um atestado da presença desse cara.

E quando eu o chamo de cara e ele não se aborrece, aí tenho certeza de que ele 
está mesmo comigo".



Li esta crônica da Martha Medeiros no FELIZ POR NADA, de autoria dela.
Lembrei deste texto agora escutando esta música, que não canso de ouvir, onde Ele me aparece, principalmente na introdução. Escutem:





http://www.youtube.com/watch?v=zEX8mv864-0


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sexta-feira, julho 22, 2011

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Saudades

Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...

Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...

Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro...

Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!

Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!

Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!

Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.

Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...

Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!

Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!

Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,

Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados...
para contar dinheiro... fazer amor...
declarar sentimentos fortes...
seja lá em que lugar do mundo estejamos.

Eu acredito que um simples
"I miss you"
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.

Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.

Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência...
Clarice Lispector

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terça-feira, junho 28, 2011

De bem com a vida

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"A felicidade é a soma das pequenas felicidades. Li essa frase num outdoor em Paris e soube, naquele momento, que meu conceito de felicidade tinha acabado de mudar. Eu já suspeitava que a felicidade com letras maiúsculas não existia, mas dava a ela o benefício da dúvida. 

Afinal, desde que nos entendemos por gente aprendemos a sonhar com essa felicidade no superlativo. Mas ali, vendo aquele outdoor estrategicamente colocado no meio do meu caminho (que de certa forma coincidia com o meio da minha trajetória de vida), tive certeza de que a felicidade, ao contrário do que nos ensinaram os contos de fadas e os filmes de Hollywood, não é um estado mágico e duradouro.


Na vida real, o que existe é uma felicidade homeopática, distribuída em conta-gotas. Um pôr-de-sol aqui, um beijo ali, uma xícara de café recém-coado, um livro que a gente não consegue fechar, um homem que nos faz sonhar, uma amiga que nos faz rir. São situações e momentos que vamos empilhando com o cuidado e a delicadeza que merecem alegrias de pequeno e médio porte e até grandes (ainda que fugazes) alegrias.

'Eu contabilizo tudo de bom que me aparece', sou adepta da felicidade homeopática. 'Se o zíper daquele vestido que eu adoro volta a fechar (ufa!) ou se pego um congestionamento muito menor do que eu esperava, tenho consciência de que são momentos de felicidade e vivo cada segundo.

Alguns crescem esperando a felicidade com maiúsculas e na primeira pessoa do plural: 'Eu me imaginava sempre com um homem lindo do lado, dizendo que me amava e me levando pra lugares mágicos Agora, se descobre que dá pra ser feliz no singular:
'Quando estou na estrada dirigindo e ouvindo as músicas que eu amo, é um momento de pura felicidade. Olho a paisagem, canto, sinto um bem-estar indescritível'.

Uma empresária que conheci recentemente me contou que estava falando e rindo sozinha quando o marido chegou em casa. Assustado, ele perguntou com quem ela estava conversando: 'Comigo mesma', respondeu. 'Adoro conversar com pessoas inteligentes'.
Criada para viver grandes momentos, grandes amores e aquela felicidade dos filmes, a empresária trocou os roteiros fantasiosos por prazeres mais simples e aprendeu duas lições básicas: que podemos viver momentos ótimos mesmo não estando acompanhadas e que não tem sentido esperar até que um fato mágico nos faça felizes.


Esperar para ser feliz, aliás, é um esporte que abandonei há tempos. E faz parte da minha 'dieta de felicidade' o uso moderadíssimo da palavra 'quando'.
Aquela história de 'quando eu ganhar na Mega Sena', 'quando eu me casar', 'quando tiver filhos', 'quando meus filhos crescerem', 'quando eu tiver um emprego fabuloso' ou 'quando encontrar um homem que me mereça', tudo isso serve apenas para nos distrair e nos fazer esquecer da felicidade de hoje. 

Esperar o príncipe encantado, por exemplo, tem coisa mais sem sentido? Mesmo porque quase sempre os súditos são mais interessantes do que os príncipes; ou você acha que a Camilla Parker-Bowles está mais bem servida do que a Victoria Beckham?

Como tantos já disseram tantas vezes, aproveitem o momento, amigos. E quem for ruim de contas recorra à calculadora para ir somando as pequenas felicidades.

Podem até dizer que nos falta ambição, que essa soma de pequenas
alegrias é uma operação matemática muito modesta para os nossos tempos. Que digam.


Melhor ser minimamente feliz várias vezes por dia do que viver eternamente em compasso de espera."






Leila Ferreira é jornalista, apresentadora de TV e 



segunda-feira, junho 27, 2011

COM MIL E UMA UTILIDADES

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Franciscarlos Diniz



A palavra "coisa" é um bombril do idioma. Tem mil e uma utilidades. É aquele tipo de termo muleta ao qual a gente recorre sempre que nos faltam palavras para exprimir uma idéia. Coisas do português.

A natureza das coisas: gramaticalmente, "coisa" pode ser substantivo, adjetivo, advérbio. Também pode ser verbo: o Houaiss registra a forma "coisificar". E no Nordeste há "coisar": "Ô, seu coisinha, você já coisou aquela coisa que eu mandei você coisar?".

Coisar, em Portugal, equivale ao ato sexual, lembra Josué Machado.
Já as "coisas" nordestinas são sinônimas dos órgãos genitais, registra o Aurélio.
"E deixava-se possuir pelo amante, que lhe beijava os pés, as coisas, os seios" (“Riacho Doce”, José Lins do Rego). Na Paraíba e em Pernambuco, "coisa" também é cigarro de maconha. Em Olinda, o bloco carnavalesco “Segura a Coisa”tem um baseado como símbolo em seu estandarte. Alceu Valença canta: "Segura a coisa com muito cuidado / Que eu chego já." E, como em Olinda sempre há bloco mirim equivalente ao de gente grande, há também o “Segura a Coisinha”.

Na literatura, a "coisa" é coisa antiga. Antiga, mas modernista:
Oswald de Andrade escreveu a crônica “O Coisa” em 1943. “A Coisa” é título de romance de Stephen King. Simone de Beauvoir escreveu “A Força das Coisas”, e Michel Foucault, “As Palavras e as Coisas”.

Em Minas Gerais, todas as coisas são chamadas de trem. Menos o trem, que lá é chamado de "a coisa". A mãe está com a filha na estação, o trem se aproxima e ela diz: "Minha filha, pega os trem que lá vem a coisa!".

Devido lugar

"Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça (...)".
A garota de Ipanema era coisa de fechar o Rio de Janeiro. "Mas se ela voltar, se ela voltar / Que coisa linda / Que coisa louca." Coisas de Jobim e de Vinicius, que sabiam das coisas. Sampa também tem dessas coisas (coisa de louco!), seja quando canta "Alguma coisa acontece no meu coração", de Caetano Veloso, ou quando vê o Show de Calouros, do Silvio Santos (que é coisa nossa).

Coisa não tem sexo: pode ser masculino ou feminino. Coisa ruim é o capeta. Coisa boa é a Juliana Paes. Nunca vi coisa assim! Coisa de cinema! “A Coisa” virou nome de filme de Hollywood, que tinha o seu Coisa no recente Quarteto Fantástico. Extraído dos quadrinhos, na TV o personagem ganhou também desenho animado, nos anos 70. E no
programa “Casseta e Planeta, Urgente!”, Marcelo Madureira faz o personagem "Coisinha de Jesus".

Coisa também não tem tamanho. Na boca dos exagerados, "coisa nenhuma" vira "coisíssima". Mas a "coisa" tem história na MPB.

No II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966, estava na letra das duas vencedoras: “Disparada”, de Geraldo Vandré ("Prepare seu coração / Pras coisasque eu vou contar"), e “A Banda”, de Chico Buarque ("Pra ver a banda passar / Cantando coisas de amor"), que acabou de ser relançada num dos CDs triplos do compositor, que a Som
Livre remasterizou. Naquele ano do festival, no entanto, a coisa tava preta (ou melhor, verde-oliva). E a turma da Jovem Guarda não tava nem aí com as coisas: "Coisa linda / Coisa que eu adoro".

Cheio das coisas

As mesmas coisasCoisa bonitaCoisas do coraçãoCoisas que não se esquece,Diga-me coisas bonitas, Tem coisas que a gente não tira do coração. Todas essascoisas são títulos de canções interpretadas por Roberto Carlos, o "rei" das coisas. Como ele, uma geração da MPB era preocupada com as coisas. Para Maria Bethânia, o diminutivo de coisa é uma questão de quantidade (afinal, "são tantascoisinhas miúdas"). Já para Beth Carvalho, é de carinho e intensidade ("ô coisinhatão bonitinha do pai"). “Todas as Coisas e Eu” é título de CD de Gal. "Esse papo já tá qualquer coisa... Já qualquer coisa doida dentro mexe." Essa coisa doida é uma citação da música “Qualquer Coisa”, de Caetano, que canta também: "Algumacoisa está fora da ordem."

Por essas e por outras, é preciso colocar cada coisa no devido lugar. Uma coisa de cada vez, é claro, pois uma coisa é uma coisaoutra coisa é outra coisa. E tal coisa, e coisa e tal. O cheio de coisas é o indivíduo chato, pleno de não me toques. O cheio das coisas, por sua vez, é o sujeito estribado. Gente fina é outra coisa. Para o pobre, a coisa está sempre feia: o salário-mínimo não dá pra coisanenhuma.

coisa pública não funciona no Brasil. Desde os tempos de Cabral. Político quando está na oposição é uma coisa, mas, quando assume o poder, a coisa muda de figura. Quando se elege, o eleitor pensa:
"Agora a coisa vai." Coisa nenhuma! A coisa fica na mesma. Uma coisa é falar; outra é fazer. Coisa feia! O eleitor já está cheio dessas coisas!

Coisa à toa

Se você aceita qualquer coisa, logo se torna um coisa qualquer, um coisa à toa. Numa crítica feroz a esse estado de coisas, no poema “Eu, Etiqueta”, Drummond radicaliza: "Meu nome novo é coisa. Eu sou a coisacoisamente." E, no verso do poeta, "coisa" vira "cousa".

Se as pessoas foram feitas para serem amadas e as coisas, para serem usadas, por que então nós amamos tanto as coisas e usamos tanto as pessoas? Bote umacoisa na cabeça: as melhores coisas da vida não são coisas. Há coisas que o dinheiro não compra: paz, saúde, alegria e outras cositas más.

Mas, "deixemos de coisa, cuidemos da vida, senão chega a morte ou coisa parecida", cantarola Fagner em “Canteiros”, baseado no poema “Marcha”, de Cecília Meireles, uma coisa linda. Por isso, faça a coisa certa e não esqueça o grande mandamento: "amarás a Deus sobre todas as coisas".          

ENTENDEU O ESPÍRITO DA COISA?

Se não entendeu, desculpe qualquer coisa.


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