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quarta-feira, fevereiro 01, 2012

Quando Deus aparece - Martha Medeiros

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"Tenho amigas de fé. Muitas. Uma delas, que é como uma irmã, me escreveu um e-mail me contando a maravilha que foi o recital do pianista Nelson Freire no Theatro São Pedro, recentemente. Ela escreveu: Nessas horas Deus aparece.

Fiquei com essa frase retumbando na minha cabeça. Deus não está em promoção, se exibindo por aí. Ele escolhe, dentro do mais rigoroso critério, os momentos de aparecer pra gente. Não sendo visível aos olhos, ele dá preferência à sensibilidade como via de acesso a nós. Eu não sou uma católica praticante e ritualística - não vou à missa. Mas valorizo essas aparições como se fosse a chegada de uma visita ilustre, que me dá sossego à alma.


Quando Deus aparece pra você?





Pra mim, ele aparece sempre através da música, e nem precisa ser um Nelson Freire. Pode ser uma música popular, pode ser algo que toque no rádio, mas que me chega no momento exato em que preciso estar reconciliada comigo mesma. De forma inesperada, a música me transcende.

Deus me aparece nos livros, em parágrafos em que não acredito que possam ter sido escritos por um ser mundano: foram escritos por um ser mais que humano.

Deus me aparece - muito! - quando estou em frente ao mar. Tivemos um papo longo, cerca de um mês atrás, quando havia somente as ondas entre mim e ele. A gente se entende em meio ao azul, que seria a cor de Deus, se ele tivesse uma.

Deus me aparece - e não considere isso uma heresia - na hora do sexo, desde que feito com quem se ama. É completamente diferente do sexo casual, do sexo como válvula de escape. Diferente, preste atenção. Não quer dizer que qualquer sexo não seja bom.

Nesse exato instante em que escrevo, estou escutando My Sweet Lord cantado não pelo George Harrison (que Deus o tenha), mas por Billy Preston (que Deus o tenha também) e posso assegurar: a letra é um animado bate-papo com Ele, ritmado pelo rock'n'roll. Aleluia.
Deus aparece quando choro. Quando a fragilidade é tanta que parece que não vou conseguir me reerguer. Quando uma amiga me liga de um país distante e demonstra estar mais perto do que o vizinho do andar de cima. Deus aparece no sorriso do meu sobrinho e no abraço espontâneo das minhas filhas. E nas preocupações da minha mãe, que mãe é sempre um atestado da presença desse cara.

E quando eu o chamo de cara e ele não se aborrece, aí tenho certeza de que ele 
está mesmo comigo".



Li esta crônica da Martha Medeiros no FELIZ POR NADA, de autoria dela.
Lembrei deste texto agora escutando esta música, que não canso de ouvir, onde Ele me aparece, principalmente na introdução. Escutem:





http://www.youtube.com/watch?v=zEX8mv864-0


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terça-feira, agosto 23, 2011

O que quer uma mulher?

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Uma mulher quer que suas unhas não quebrem nem descasquem. Uma mulher quer se sentir atraente com o peso que tem. Uma mulher quer ver seu trabalho valorizado. E quer ganhar dinheiro com ele. Uma mulher quer ser amada. Quer viver apaixonada. E quer se divertir.

Poderíamos encerrar a questão neste primeiro parágrafo, mas como a página necessita ser preenchida, avante.

Uma mulher quer ter filhos. Ou já quis um dia.

Uma mulher com filhos quer ter mais tempo para si mesma. E uma mulher com tempo de sobra quer uma rotina mais agitada. Uma mulher só não quer o tédio.

Uma mulher quer um cabelo que não precise ser constantemente pintado, arrumado, escovado. Uma mulher quer conversar. Uma mulher quer ficar em silêncio. Uma mulher quer que lhe telefonem de surpresa e lhe digam coisas que a façam ficar sem palavras. Uma mulher quer deixar um homem maluco. E ter, ela mesma, o direito de enlouquecer.

Uma mulher quer aprender a ser mais egoísta. Quer, ao menos uma vez na vida, pensar só nela e em mais ninguém.

Uma mulher quer inspirar um poema. Quer ser musa. Mas não quer ser confundida com essas mulheres que não controlam a própria vaidade, perdem a noção e pagam mico nas páginas das revistas.

Uma mulher quer colocar comida na mesa e que as crianças raspem o prato, uma mulher quer seus filhos saudáveis e felizes, uma mulher quer que eles durmam a noite toda, de preferência em casa.

Uma mulher quer desligar a tevê. Uma mulher quer sexo. Uma mulher quer devorar um pão de meio quilo sem culpa. Uma mulher quer sair bonita na foto. Uma mulher quer dormir mais cedo. Uma mulher quer ser reparada na festa. Uma mulher quer que seu carro não a deixe na mão. Uma mulher quer ser escutada. E quer escutar os homens, que pouco se abrem.

Uma mulher quer fazer algo pela sociedade. Quer ajudar quem precisa. Quer ser útil. Em troca, quer que a ajudem com as sacolas. E que a amparem na dor.

Uma mulher quer ter o gostinho de dizer não para os cafajestes. Por mais que ela queira dizer sim.

Uma mulher quer morrer de rir. Uma mulher quer que não a levem tão a sério. Quer batalhar por seus ideais sem se embrutecer.

Uma mulher quer de vez em quando demonstrar seus dotes de atriz. Uma mulher quer brilhar no escuro.

Uma mulher quer paz. Uma mulher quer ler mais, viajar mais, conhecer mais. Uma mulher quer flores. Quer beijos. Quer se sentir viva. E quer viver para sempre, enquanto for bom. Está respondido, doutor Freud. Não somos assim tão complicadas.








Recebi do Raimundo, do PATO VELHO,  por e-mail,  publicada na Revista O Globo, de 21/08/11

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terça-feira, janeiro 11, 2011

FELIZ OLHAR NOVO

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Embora o ano não seja mais novinho em folha, desejo a todos vocês este olhar especial.
2011 pode ser um ano muito legal, depende de cada um ver os erros cometidos e tentar melhorar, acreditar nos sonhos que eles serão realizados. Eu acredito!





"O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história.
O grande lance é viver cada momento como se a receita de felicidade fosse o AQUI e o AGORA.
Claro que a vida prega peças. É lógico que, por vezes, o pneu fura, chove demais..., mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia? Tem sentido ficar chateado durante o dia todo por causa de uma discussão na ida pro trabalho?
Quero viver bem! Este ano que passou foi um ano cheio. Foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões. Normal. As vezes a gente espera demais das pessoas. Normal. A grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor que acabou. Normal.
O ano que vai entrar vai ser diferente. Muda o ano, mas o homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí? Fazer o quê? Acabar com o seu dia? Com seu bom humor? Com sua esperança?
O que desejo para todos é sabedoria! E que todos saibamos transformar tudo em boa experiência! Que todos consigamos perdoar o desconhecido, o mal educado. Ele passou na sua vida. Não pode ser responsável por um dia ruim... Entender o amigo que não merece nossa melhor parte. Se ele decepcionou, passe-o para a categoria 3. Ou mude-o de classe, transforme-o em colega. Além do mais, a gente, provavelmente, também já decepcionou alguém. 
O nosso desejo não se realizou? Beleza, não estava na hora, não deveria ser a melhor coisa pra esse momento (me lembro sempre de um lance que eu adoro): CUIDADO COM SEUS DESEJOS, ELES PODEM SE TORNAR REALIDADE.
Chorar de dor, de solidão, de tristeza, faz parte do ser humano. Não adianta lutar contra isso. Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, as coisas ficam bem diferentes.
Desejo para todo mundo esse olhar especial.
O ano que vai entrar pode ser um ano especial, muito legal, se entendermos nossas fragilidades e egoísmos e dermos a volta nisso. Somos fracos, mas podemos melhorar. Somos egoístas, mas podemos entender o outro. O ano que vai entrar pode ser o bicho, o máximo, maravilhoso, lindo, espetacular... ou... Pode ser puro orgulho! Depende de mim, de você! Pode ser. E que seja!!!
Feliz olhar novo!!! Que o ano que se inicia seja do tamanho que você fizer.
Que a virada do ano não seja somente uma data, mas um momento para repensarmos tudo o que fizemos e que desejamos, afinal sonhos e desejos podem se tornar realidade somente se fizermos jus e acreditarmos neles!"

 Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, setembro 01, 2010

Da Minha Precoce Nostalgia

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Dedico este post às minha netas, Maria Antônia e Maria Clara.




Ou se você prefere ler:


Da Minha Precoce Nostalgia – Crônica
Maria Sans Martins


Quando eu for bem velhinha, espero receber a graça de, num dia de domingo, me sentar na poltrona da biblioteca e, bebendo um cálice de Porto, dizer a minha neta:
- Querida, venha cá. Feche a porta com cuidado e sente-se aqui ao meu lado. Tenho umas coisas pra te contar. E assim, dizer apontando o indicador para o alto:
- O nome disso não é conselho, isso se chama corroboração!
Eu vivi, ensinei, aprendi, caí, levantei e cheguei a algumas conclusões. E agora, do alto dos meus 82 anos, com os ossos frágeis a pele mole e os cabelos brancos, minha alma é o que me resta saudável e forte.
Por isso, vou colocar mais ou menos assim:
É preciso coragem para ser feliz. Seja valente.
Siga sempre seu coração. Para onde ele for, seu sangue, suas veias e seus olhos também irão.
E satisfaça seus desejos. Esse é seu direito e obrigação.
Entenda que o tempo é um paciente professor que irá te fazer crescer, mas escolha entre ser uma grande menina ou uma menina grande, vai depender só de você.
Tenha poucos e bons amigos. Tenha filhos. Tenha um jardim. Aproveite sua casa, mas vá a Fernando de Noronha, a Barcelona e a Austrália. Cuide bem dos seus dentes. Experimente, mude, corte os cabelos. Ame. Ame pra valer, mesmo que ele seja o carteiro. Não corra o risco de envelhecer dizendo "ah, se eu tivesse feito..." Tenha uma vida rica de vida. Vai que o carteiro ganha na loteria - tudo é possível, e o futuro, tsc, é imprevisível.
Viva romances de cinema, contos de fada e casos de novela. Faça sexo, mas não sinta vergonha de preferir fazer amor. E tome conta sempre da sua reputação, ela é um bem inestimável. Porque sim, as pessoas comentam, reparam, e se você der chance elas inventam também detalhes desnecessários.
Se for se casar, faça por amor. Não faça por segurança, carinho ou status.
A sabedoria convencional recomenda que você se case com alguém parecido com você, mas isso pode ser um saco!
Prefira a recomendação da natureza, que com a justificativa de otimizar os genes na reprodução, sugere que você procure alguém diferente de você. Mas para ter sucesso nessa questão, acredite no olfato e desconfie da visão. É o seu nariz quem diz a verdade quando o assunto é paixão.
Faça do fogão, do pente, da caneta, do papel e do armário, seus instrumentos de criação. Leia.
Pinte, desenhe, escreva. E por favor, dance, dance, dance até o fim, se não por você, o faça por mim.
Compreenda seus pais. Eles te amam para além da sua imaginação, sempre fizeram o melhor que puderam, e sempre farão.
Cultive os amigos. Eles são a natureza ao nosso favor e uma das formas mais raras de amor.
Não cultive as mágoas - porque se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que um único pontinho preto num oceano branco deixa tudo cinza.
Era só isso minha querida. Agora é a sua vez. Por favor, encha mais uma vez minha taça e me conte: como vai você?

sexta-feira, agosto 13, 2010

Agosto, 13, sexta-feira





Boto fé na vida e na proteção divina! Por isso não padeço de Paraskavedekatriaphobia ou parascavedecatriafobia, o medo específico da sexta-feira 13. Medo de quê, se podemos cobrir nosso corpo de luz, nosso espírito de amor, nossa vida de bênçãos? Orar dá sossego ao coração. Fazer o bem, não se conectar com forças negativas, não entrar em sintonia com energias baixas, tudo isso afasta o que não é feliz. E perdoar. Como precisamos perdoar os outros e a nós mesmos! O amor é lindo, mas o perdão é o que nos liberta. Se perdoamos sinceramente, está desfeita a corrente do ódio, que pesa demais e não traz benefício algum! Por que carregar ódio no coração se o perdão é libertador e traz tanto alívio? Perdoar é como varrer a casa, tirar o lixo, remover o entulho: fica tudo limpinho! A gente arruma o coração quando perdoa, se liberta das mágoas, joga fora o rancor, fica leve!...



O final tá lá no blog da Verinha, não perca!
 
 
Este post foi editado.
 

quinta-feira, julho 02, 2009

O silêncio

(imagem daqui)



"Pior do que uma voz que cala, é um silêncio que fala!


"Simples, rápido!E quanta força!!!!!!


Imediatamente me veio à cabeça situações em que o silêncio me disse verdades terríveis, pois, você sabe, o silêncio não é dado a amenidades. Um telefone mudo. Um e-mail que não chega. Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca. Silêncios que falam sobre desinteresse, esquecimento, recusas.

Quantas coisas são ditas na quietude, depois de uma discussão. O perdão não vem, nem um beijo, nem uma gargalhada para acabar com o clima de tensão. Só ele permanece imutável, o silêncio, a ante-sala do fim. É mil vezes preferível uma voz que diga coisas que a gente não quer ouvir, pois ao menos as palavras que são ditas indicam uma tentativa de entendimento. Cordas vocais em funcionamento articulam argumentos, expõem suas queixas, jogam limpo. Já o silêncio arquiteta planos que não são compartilhados.

Quando nada é dito, nada fica combinado. Quantas vezes, numa discussão histérica, ouvimos um dos dois gritar:"Diz alguma coisa, mas não fica aí parado me olhando!"

É o silêncio de um mandando más notícias para o desespero do outro. É claro que há muitas situações em que o silêncio é bem-vindo. Para um cara que trabalha com uma britadeira na rua, o silêncio é um bálsamo. Para a professora de uma creche, o silêncio é um presente. Para os seguranças de um show do Zezé Di Camargo e Luciano, o silêncio é um sonho. Mesmo no amor, quando a relação é sólida e madura, o silêncio a dois não incomoda, pois é o silêncio da paz.

O único silêncio que perturba é aquele que fala. E fala alto. É quando ninguém bate à nossa porta, não há recados na secretária eletrônica e mesmo assim você entende a mensagem."

Martha Medeiros


Você já viu um coração batendo?

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quinta-feira, setembro 25, 2008

Aprenda a dizer não sem culpa

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Ela é ótima e tenho certeza que vocês vão concordar comigo.
Martha Medeiros



"Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes.

Sou a Miss Imperfeita, muito prazer.

Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana, decido o cardápio das refeições, levo os filhos no colégio e busco, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as unhas!

E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic.

Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.


Primeiro: a dizer NÃO.

Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás.
Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero.

Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.


Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros. Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.
Você não é Nossa Senhora.

Você é, humildemente, uma mulher.


E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão
de ser indispensável.
É ter tempo.

Tempo para fazer nada.

Tempo para fazer tudo.

Tempo para dançar sozinha na sala.

Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.
Tempo para sumir dois dias com seu amor.

Três dias.

Cinco dias!

Tempo para uma massagem.

Tempo para ver a novela.

Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.

Tempo para fazer um trabalho voluntário.

Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto. Tempo para conhecer outras pessoas. Voltar a estudar. Para engravidar.

Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.

Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal. Existir, a que será que se destina? Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem. Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si. Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!
Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente. Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo.

Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.


Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores. E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante".


Texto da Martha Medeiros publicado na Revista do jornal O Globo

quarta-feira, julho 02, 2008

Árvore da Felicidade

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A Rô, do blog Na casa da vovó..., me presenteu com a Árvore da Felicidade.
Conta a história oriental que a Árvore da Felicidade não se compra, se ganha. Eu fiquei bem feliz! Obrigada, Rô.

Ofereço a todos que passarem por aqui, desejando felicidades mil a quem levar.


A Rô deixou junto com a árvore, lá no Na casa da vovó... um texto maravilhoso do Rubens Alves que começa assim:


O tempo e as jabuticabas

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver
Daqui para frente do que já vivi até agora.
Sinto-me como aquela Menina que ganhou uma bacia de jabuticabas.
As primeiras, ela Chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir
Quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.
Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos
Para reverter a miséria do mundo.
Não quero que me convidem...


Não deixem de ir lá ler o fim!

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sexta-feira, junho 13, 2008

Sexta-feira 13

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Boto fé na vida e na proteção divina! Por isso não padeço de Paraskavedekatriaphobia ou parascavedecatriafobia, o medo específico da sexta-feira 13. Medo de quê, se podemos cobrir nosso corpo de luz, nosso espírito de amor, nossa vida de bênçãos? Orar dá sossego ao coração. Fazer o bem, não se conectar com forças negativas, não entrar em sintonia com energias baixas, tudo isso afasta o que não é feliz. E perdoar. Como precisamos perdoar os outros e a nós mesmos! O amor é lindo, mas o perdão é o que nos liberta. Se perdoamos sinceramente, está desfeita a corrente do ódio, que pesa demais e não traz benefício algum! Por que carregar ódio no coração se o perdão é libertador e traz tanto alívio? Perdoar é como varrer a casa, tirar o lixo, remover o entulho: fica tudo limpinho! A gente arruma o coração quando perdoa, se liberta das mágoas, joga fora o rancor, fica leve!...

O final tá lá no blog da Verinha, não perca!


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segunda-feira, junho 02, 2008

Esse recado é pra mim mesma..rs....


"Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado nem chega com hora marcada.
Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.
Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um", duas pessoas pensando igual, agindo igual, que isso era que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.
Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos.
Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.
Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas.
Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo prá gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho.
E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém." (Martha Medeiros)

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quarta-feira, abril 30, 2008

Primeiro passo

Vera Pinheiro


Onde está, afinal? Revirei a gaveta do armário a procura de outro tubinho de creme. Pensei que tivesse mais um, mas devo ter esquecido de comprar para manter em reserva ou talvez imaginasse que nunca fosse acabar. Uso creme com freqüência, especialmente no tempo frio, no inverno que resseca a pele, por isso, logo termina. Justo quando mais precisava dele... estava quase no fim, restava muito pouco. Tirei, com algum esforço, o que sobrava. Com o cabo de uma escova, espremi o tubinho quanto pude, até sair o pouco que ainda havia de creme. Com a tesoura, cortei na metade, raspei para pegar a sobra. Agora não tem mais. Preciso repor e ficar mais atenta, para ter quando preciso. Não devo deixar que acabe sem que eu tenha percebido. Assim também com os meus afetos, pensei.
Muitas vezes tentei espremer uma amizade para reanimá-la e não consegui, porque já não havia mais nada dentro da relação. Alguns amores, por falta de uso, perderam prazo de validade e foram jogados fora. De outros, perdi a garantia e o conserto do que estava errado no relacionamento exigia custo alto demais. Isso me fez desistir. Não disse a muitas pessoas quanto gostava delas e por que as admirava. Nem sabiam que as admirava. Muitos dos que procurei já não estavam no mesmo lugar, já haviam partido ou não me reconheciam mais como um afeto. As lembranças foram se espalhando diante do espelho, enquanto passava o pouco creme no rosto, já molhado de lágrimas fartas.
Admiti o meu descaso com afetos que me eram muito caros e que perdi. Reconheci não ter feito o melhor para manter comigo pessoas que estavam na minha vida. Vi no excesso de entrega do meu tempo ao trabalho uma das causas do meu isolamento. Ninguém agüenta pessoas que só trabalham. São mesmo insuportáveis.
Tentei lembrar de quantas vezes deixei de retornar uma mensagem que me enviaram, um telefonema que me deram, um carinho que me fizeram... Eu, que não gosto de contabilizar essas trocas, revi minhas atitudes em relação aos outros, como tenho retribuído o que me alcançam, quanto tenho manifestado da minha gratidão, do meu amor, da minha afeição pelos outros. E não deixei de perceber, claro, quanto tenho de volta. Às vezes, dando pouco, muito recebo por conta da generosidade alheia. De outras, por mais que oferte, não há permuta, e me sinto um tubinho vazio: não adianta espremer, não há mais nada que possa ainda dar de mim para aquela pessoa que descuidou da reposição do meu bem-querer.
Como penso que reflexão sem ação vira divagação, tratei de colocar em prática o exercício que me sugeriu o espelho, onde via o rosto maior do que o tantinho de creme, tão semelhante à necessidade de ter afeto para espalhar pela vida. Logo cedo, escrevi para quem enviou a mensagem que restava sem resposta, a espera do meu tempo. Antes de começar o trabalho, mandei um recado de carinho para duas pessoas que admiro e que, imagino, não sabiam quanto. No tempo que usaria para tomar cafezinho, telefonei para uma amiga que iniciou novo projeto de vida. Queria motivá-la, e não sabia que a coragem que tanto admirava nela estava um pouco enfraquecida. Ela ficou feliz, pois precisava de um reforço justo naquele momento. Dei um intervalo na missão e liguei para outra pessoa, de quem gosto muito, apenas para desejar que a semana fosse feliz e que a meta que buscava fosse, enfim, alcançada. Passei o dia desenvolvendo o projeto de renovação do meu estoque de afeto em pequenas ações, que não exigiram muito do meu tempo e me lotaram o coração de alegria.
No final desse dia em que fiquei tão vigilante no trabalho quanto nas minhas emoções e dei a mesma atenção ao que fazia quanto aos meus afetos, passei na farmácia para comprar outro tubinho do meu creme predileto. "Não tem, acabou o estoque. Semana que vem, talvez". Outra farmácia, a mesma resposta. Supermercado, quem sabe? Nada na prateleira, já tinham levado. Não posso pedir emprestado. Creme e amado de amiga a gente não usa! Cada uma tem de ter os próprios.
Voltei para casa sem o que precisava. Ainda na gaveta repousava o que sobrou do tubo retorcido à exaustão do seu conteúdo, agora esvaziado. Onde estão os meus afetos? Por que não ligam, não escrevem, não mandam nem pedem notícias? Porque não dão o primeiro passo, que dessa vez ensaiei e cumpri. Ficam em silêncio, como tantas vezes fiquei e os outros, a espera de mim. Até agora, porque não quero mais que meus afetos sejam tubinhos de creme vazios que, quando preciso, não têm mais nada para mim. Vi que estava pouco cuidadosa e desatenta ao ciclo de vida que tinham na minha história. Por isso, agora, eu dou o primeiro passo e espero o passo deles na minha direção, para que façam tanto bem à pele como aquele creme. Para que amaciem os meus dias no inverno da existência. E enquanto ainda posso dar de mim. Sem apertos, mas por disposição e vontade.

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quarta-feira, março 05, 2008

Inimigos

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Vera Pinheiro


A qualidade dos relacionamentos de uma pessoa não se avalia pelo número de amigos que ela tem nem pela quantidade de inimigos que acumulou ao longo da existência.

Inimigo é uma palavra forte, precisamos de coragem para assumir que os temos. Substituímos por um nome mais ameno, por exemplo, desafeto. Quantos se opõem a nós, são nossos rivais, adversários ou inimigos? Alguns são declarados; outros, ocultos. Uns mostram a cara; outros falam pelas costas. Uns se admitem como tal; outros se fingem de amigos. Uns se manifestam; outros jamais revelam o que são. Com uns e outros precisamos conviver da forma mais pacífica possível.


...


De minha parte, quero que meus inimigos vivam bastante e com saúde. Que seus dias sejam de completo estado de alegria, em meio à grande felicidade, que sejam prósperos, ricos, e tenham grandes amigos. Sejam eles muito amados, tenham a mesa farta, a casa sempre em festa e a família em volta. Que sejam pessoas realizadas, sem dívidas nem pecados, com projetos bem-sucedidos, sonhos realizados, e tenham paz de espírito, fé e harmonia em suas vidas. Que tenham o olhar animado e em suas bocas haja riso, que não encontrem motivos para queixas e tudo traga alegria e bem-estar. Que meus inimigos, quem quer que seja e assim se identifique, vivam completamente felizes todos os dias, a cada minuto, para todo o sempre.

Não preciso desejar isso aos meus amigos, eles já têm tudo e mais terão. Não preciso querer tudo isso para mim, pois já tenho e mais terei de tudo quanto dou. Minha defesa contra a inimizade é ser feliz, desejar felicidade e ter confiança inabalável na sabedoria da vida, em seus mistérios, e no poder de um Ser Divino que cuida por mim do que não posso e desvia do meu caminho o que não presta. Minha vingança é a alegria de ser melhor do que os inimigos. Eles nunca se demoram ao meu lado porque não dou espaço que está ocupado com afetos e amigos. Inimigos não suportam felicidade, por isso vão embora, a gente fica em paz, e contra eles nada é melhor que ser feliz de modo insuperável!

(*) Crônica publicada no jornal A Razão (www.arazao.com.br), de Santa Maria, RS, edição de 1º e 2 de março de 2008.


Não coloquei toda a crônica de propósito para que vocês visitem o blog da Verinha. Vale a pena!


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segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Meia idade

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Foto surrupiada do blog.
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Só agora conheci o blog da Verinha. Sou fã dela, do que escreve e a maneira que o faz, desde que a conheci, quando ela ainda morava em Santa Maria. Vale a pena ir lá.
Oportunamente vou voltar com mais crônicas da Verinha.


Sempre pensei que a “meia-idade” fosse a divisão matemática feita dentro de uma previsibilidade possível de duração da vida. Ao meio, metade, 50 por cento pra cá, o restante pra lá. O que já foi vivido não tem retorno, reparo, nem permite saudade. Passou. Há que se conformar com isso, não tem outro jeito. No mais, meras expectativas e desejos, esperando ter tempo e fôlego para alcançá-los.

Meia-idade, pensava, seria aquela fase em que a gente coleciona saudade do que viveu e repensa o que poderia ter sido. A fase das lembranças, doces e amargas, e da certeza de que não dá para recuperar as perdas, nem o passado. Mas, enfim, ainda restaria algum tempo - a outra metade - para compensar o atraso ou o que foi perdido e não-vivido.

Quando atingisse a meia-idade, já teria filhos criados, eles mais altos, maiores e melhores do que eu. Eu os fiz nascer, por meu gozo e gosto, e os criei. Logo, aperfeiçoados pelo melhor que eu sou. E me sentindo dispensável, sem deixar de ser importante para eles.

Leria tudo a respeito do que significa esse momento da vida. Rugas, menopausa, crises existenciais, angústias. Conversaria com minhas iguais, partilhando experiências sobre isso tudo. E me questionaria constantemente se seria capaz de encarar com dignidade o rosto no espelho e o corpo na cama, sem temor, vergonha ou insegurança.

Quem sabe, viveria esta metade e o resto dos meus dias ao lado do homem escolhido, e ainda amado, calçando chinelinhos de lã ou crochê, apreciando a chuva da varanda. Fará sol amanhã? Tudo é “talvez”, porque o tempo escapa.

Poderia estar rumando à aposentadoria, carreira feita, estabilidade garantida. A época dos esforços, afinal, já teria passado. O plantio feito em meia vida asseguraria a colheita farta de frutos maduros e saborosos. Nem me importaria de separar as sementes. Com elas contaria todos os anos que vivi, um a um.

Meia-idade.
Seria sempre tratada como “senhora” ao roçar meu umbigo em qualquer balcão e teria lugar preferencial em lojas, bancos e elevadores. Primeiro as senhoras.
Recusaria convites para noites prolongadas, me recolheria cedo, não antes de ler um trecho de bom livro, de autor recomendável. E dormiria só depois de orar um terço de ponta a ponta, pelos pecados que ousei cometer.

Não afundaria os decotes, dispensaria saias de fendas sensuais e saltos altos que alongam a silhueta e deixam a figura esguia. Justo, só o comportamento. Política, ética, ecológica e socialmente correta.

Pensava: regularia meus desejos de acordo com o companheiro desta metade da vida, cumprindo todos os deveres conjugais que jurei atender. Da fidelidade prometida ao compromisso de fazer o outro feliz, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença...

Meia-idade.
Algo tão distante que, parece, nunca vamos topar com ela. Tanto medo que desviamos o pensamento dela. Quando chega a hora, vê-se o que fazer. Pressentindo-a, foge-se dela. Disfarça-se. Porque a meia-idade é a fase de medir o que deu certo e o que ainda pode dar. Avalia-se que chances que ainda se tem.

Meia-idade.
Não era nada daquilo que eu pensava.
As lembranças podem-se acomodar no compartimento das experiências vividas, sem sofrer com elas. Filhos, quando crescem, podem ser parceiros, aliados, cúmplices. Nós deles e eles nossos.

A alma, às vezes serena e quase sempre inquieta, assume novas nuances, antes desconhecidas. Quanto à beleza, o amadurecimento confere um novo padrão, que as muito jovens ainda vão demorar a encontrar.

Hábitos, costumes, manias são substituídos, uns; recolhidos, outros, e a maioria, renovada. Mudando o jeito de ser, aperfeiçoa-se o modo de viver, vai-se tornando mais seletiva e qualificada, tentando ser uma pessoa melhor. Já se sabe o que se quer, e, principalmente, o que não se quer. E isso realmente é muito bom.

Acumulam-se bens pela vida e se os percebe exatamente quando não se pensa mais em guardar, mas em partilhar. Os materiais aproveitam-se pela alegria de tê-los alcançado. Os espirituais dividem-se pela grandeza de não os reter apenas para si mesma.

Na meia-idade só se aposenta o que complica a vida, atrapalha a convivência e espanta a alegria. O resto é vida e emoção para ser vivida por inteiro, com destino à felicidade.

O amado queremos que esteja ao lado para perceber toda a nossa evolução humana e para emocionar-se com a conquista do nosso equilíbrio. Que continue ardente como sempre, mantendo o cotidiano da paixão que tanto nos estimula.

Dentro da gente, o desejo e a possibilidade de amar e ser amada com intensidade, corpo e alma, do jeito que se é. Sem tentar modificar o outro, sem ajustar-se aos seus apelos. Deixando-se invadir ainda e sempre pela ansiedade do prazer, amplamente descoberto e plenamente vivenciado.

Descobre-se a graça de encontrar novos ângulos da gente que estavam escondidos e deixa-se transparecer toda a sensualidade que, por covardia ou omissão, fazíamos questão de abafar.

Aquela gostosa vontade de viver ainda nos faz atravessar noites insones, movidas pela emoção de momentos tão intensos que se tornam inesquecíveis. A tal ponto de não nos deixar dormir, misto de desassossego e querer.
Ansiedades e desejos, sonhos e ideais não morrem com o passar do tempo. A menos que desistamos de viver a outra metade da vida. Porque há tempo de sobra para recomeçar, se preciso.

Orgulhosa, a gente pode admirar-se diante da vitrina ou do espelho: inteira, plena e absoluta. Sempre audaciosa.
Bela senhora! Ou, mais que isso, sempre uma maravilhosa mulher.
De meia-idade, sim. E daí?.


Publicado no livro “Santa Maria em letras”
Associação Santa-Mariense de Letras
Santa Maria - RS - 1995





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