Os do meu tempo devem lembrar das aulas de Canto Orfeônico, em que cantávamos músicas de autores brasileiros, além dos Hinos do Brasil, da Bandeira, e aqui no estado o do Rio Grande, entre outras músicas.
Pois hoje lembrei daquele tempo e do "Luar do Sertão" e fui pesquisar sobre o Catulo da Paixão Cearense, o autor da letra. Achei a biografia e esta poesia, que gostei muito e trouxe pra vocês.
Catulo da Paixão Cearense
Um pássaro engaiolado,
mestre de canto e harmonia,
disse a um relógio cansado
de tanto dar meio-dia :
-Relógio, isto não tem jeito!
Até parece chalaça!
Eu canto, sem ter proveito
e tu trabalhas, de graça !
Queres ouvir um conselho ?
Vê lá se é do teu agrado :
tu te conservas parado,
eu fecho a minha garganta,
fazendo como esse espelho,
que não dá horas nem canta !
Eu já estou desencantado
de cantar sem resultado.
E disse o relógio : - Amigo,
o mesmo se dá comigo.
Mas o espelho disse : - Não !
Nenhum dos dois tem razão.
Nenhum pássaro gorjeia,
sem ter a barriga cheia.
Nenhum relógio tem vida
sem o sustento da corda,
que a corda é a sua comida.
Eu vivo neste abandono,
sem dar despesa ao meu dono.
Sem comer corda ou alpista,
trabalho e, nesta canseira,
estou sempre retratando,
pois, quer queira, quer não queira,
tenho de ser retratista !
E, desde que fui criado
e comecei a espelhar,
nunca vi um retratado,
que, em mim se vindo mirar,
dissesse : - Muito obrigado!
que é modo civilizado
de se pagar, sem pagar.
Catulo da Paixão Cearense1863/1946Todos os direitos reservados ao autor
mestre de canto e harmonia,
disse a um relógio cansado
de tanto dar meio-dia :
-Relógio, isto não tem jeito!
Até parece chalaça!
Eu canto, sem ter proveito
e tu trabalhas, de graça !
Queres ouvir um conselho ?
Vê lá se é do teu agrado :
tu te conservas parado,
eu fecho a minha garganta,
fazendo como esse espelho,
que não dá horas nem canta !
Eu já estou desencantado
de cantar sem resultado.
E disse o relógio : - Amigo,
o mesmo se dá comigo.
Mas o espelho disse : - Não !
Nenhum dos dois tem razão.
Nenhum pássaro gorjeia,
sem ter a barriga cheia.
Nenhum relógio tem vida
sem o sustento da corda,
que a corda é a sua comida.
Eu vivo neste abandono,
sem dar despesa ao meu dono.
Sem comer corda ou alpista,
trabalho e, nesta canseira,
estou sempre retratando,
pois, quer queira, quer não queira,
tenho de ser retratista !
E, desde que fui criado
e comecei a espelhar,
nunca vi um retratado,
que, em mim se vindo mirar,
dissesse : - Muito obrigado!
que é modo civilizado
de se pagar, sem pagar.
Catulo da Paixão Cearense1863/1946Todos os direitos reservados ao autor
E aqui por Luiz Gonzaga e Milton Nascimento e onde conta a história da música. (Só abre no IE)
http://www.paixaoeromance.com/10decada/luar_sertao/h_luar_do_sertao.htm
8 comentários:
eu me recordo das aulas de musica ...que maravilha!
Bjs
As vezes a gente viaja sem rumo e guia pela internet e se depara com estas jóias. Agradeço a sensibilidade da autora em colocar a poesia e, ah como eu gosto disso, a canção com a bethânia.
Não costumo responder aqui e sim ir ao blog de quem comenta, mas como não pude responder no blog do Waldemir, deixo aqui os meus agradecimentos pela visita. Volte sempre.
Um abraço.
Rosamaria
Eu me lembro muito bem das aulas de música e de canto orfeônico.
Apesar da gente zoar muito na aula, todos adorávamos.
Cantávamos tb todos os hinos, inclusive a introdução do Hino Nacional.
Bjs
Rosa,
Coisa boa, acordar e tomar meu café ouvindo esta antiga música.
bjs cariocas
Sempre amei esse poema de Catilo. No colégio tive que decorar para declamar. E até hoje eu não esqueço.
Perdão Catulo.
Até hoje? 53 anos depois rsrsrs.
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